
No
entanto, o que ocorreu no Brasil entre os anos 1940 e 1990, foi que as cidades
não apresentavam uma oferta de empregos compatível à procura, nem a economia
urbana crescia na mesma velocidade em que a migração. Em consequência crescia odesemprego e o sub-emprego no setor de serviços, com aumento do
número de trabalhadores informais, vendedores ambulantes e trabalhadores que
vivem de fazer "bicos". Associado à falta de investimentos e ao
reduzido planejamento do Estado na ampliação da infra-estrutura urbana, isto
contribuiu para a formação de um cinturão marginal nas cidades, ou seja, o
surgimento de novas favelas, palafitas e
invasões urbanas.
No processo de povoamento
do Brasil, as migrações internas sempre tiveram um papel importante, pois é
notável a mobilidade da população brasileira. Os ciclos econômicos brasileiros
foram determinantes nesses movimentos populacionais como já começa a mostrar a
figura que segue e que será explicada em tópicos posteriores.
Dentre os
principais movimentos internos da população brasileira, destacam-se:
·
O processo
de ocupação dinamizou-se nos meados do século XVI, com a introdução de uma
cultura comercial voltada para o mercado externo europeu, a cana-de-açúcar, e
ampliação da sua oferta que, desde o século XIV, havia sido introduzida nas
ilhas do Mediterrâneo, no século seguinte se expandiria pelas ilhas do
Atlântico e, nos séculos XVI e XVII, seria produzida principalmente no Brasil
formando os primeiros núcleos de ocupação européia. Este produto seria a grande
atração para as tentativas de conquista de novos territórios, por povos que se
integraram na Revolução Comercial e que dispunham de condições de melhor
distribuir o produto no mercado da Europa Central, Setentrional e Ocidental.
·
Ainda que o
principal produto da economia da colônia tenha sido a cana-de-açúcar, deve-se
registrar que desde o século XVI a atividade pecuária teve relevância, pois foi
responsável pela formação das primeiras cidades no interior do Nordeste;. Sem
dúvida, a Bahia foi o seu primeiro grande centro de irradiação, e, em função
disso, importância mais notável na vida econômica da capitania. Com o gado, a
área de influência baiana expandiu-se notadamente para o norte e o nordeste,
buscando o vale do rio São Francisco, por onde se esparramou – na virada do
século – num movimento que acabou por colonizar o Piauí (estimava-se o rebanho
baiano entre 650.000 e 700.000 cabeças de gado no final do século XVI). No
período enfocado assiste-se ao início desse amplo movimento, cujo anteato foi a
“pacificação” dos pioneiros habitantes dessas áreas, a qual gerou pela “guerra
justa” os braços de que necessitava a lavoura. Tal expansão colonizou o “sertão
de dentro” (margem direita do rio São Francisco), sendo a responsável pela
ocupação da caatinga, num padrão de povoamento disperso e itinerante próprio da
pecuária extensiva, comandado pelos grandes senhorios baianos (MORAES, Antonio
Carlos Robert. Bases da formação territorial do Brasil: o território colonial brasileiro no
“longo” século XVI. São Paulo: Hucitec, 2000).
·
Passando-se
ao século XVII, pode-se afirmar que o Brasil foi também o maior produtor
mundial de ouro, metal descoberto no Brasil Central em 1690. O ouro tornou-se
economicamente muito importante para a colônia até meados do século XVIII, à
medida que a economia açucareira decaía face à concorrência das Antilhas. A
descoberta do ouro provocou um afluxo de imigrantes da metrópole e uma grande
mobilidade interna em direção ao centro e oeste brasileiro (Minas Gerais, Goiás
e Mato Grosso). Caminhos de gado e tropas de mulas estabeleceram-se para
abastecer os primeiros centros mineradores, constituindo-se nos primeiros eixos
da integração interna da colônia (BECKER, Bertha; EGLER, Claudio A. G. Brasil: uma nova potência regional na
economia-mundo. 5ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006).
·
A oferta de
terras no Vale do Paraíba, próximo aos portos de embarque, o cultivo predatório
da terra e a taxa de exploração de escravos favoreciam a empresa do café e
entre 1821 e 1830, o café já representava 20% do valor das exportações
brasileiras e a partir de 1830 o Brasil tornou-se o primeiro produtor mundial
de café que nessa época representava o primeiro produto de exportação
brasileiro e sul-americano e em meados do século XIX, os Estados Unidos
absorviam mais de 50% das exportações. Esse prolongamento da fronteira agrícola
em função da cultura do café, que se alastrou pelo Vale do rio Paraíba do Sul
teve seu período áureo entre 1850 e 1929, atingido o Oeste paulista e, em
seguida, o norte do Paraná, numa impressionante onda verde apoiada por correntes migratórias do
Nordeste e de Minas Gerais. Foi o maior movimento interno de população que
houve no Brasil tendo sido responsável por uma mudança profunda na distribuição
populacional do país;
·
O século XIX
e o início do século XX foram marcados pelos últimos ciclos econômicos, sem
dúvida os que mais contribuíram para modelar o território. O último e mais
curto foi o da borracha (1860/1920). A demanda mundial de pneumáticos cresceu
muito rapidamente com o desenvolvimento do automóvel, e para satisfazê-la
instaurou-se todo um sistema. No patamar superior estavam as casas de
importação e exportação de Belém e Manaus, e no interior os seringueiros. A
maior parte vinha do Nordeste, menos atraídos pela borracha do que expulsos
pela terrível seca que devastou o sertão a partir de 1877. Mais de um milhão de
nordestinos vieram, assim, instalar-se na Amazônia, e muitos ficaram após o
desmoronamento do sistema da borracha. Com esse episódio, começou a primeira
onda de migrações internas, prova de que a população brasileira tinha atingido
sua massa crítica (em 1900, 17,5 milhões de habitantes; 1920, 30,6 milhões e
1940, 40,1 milhões) e já era, então, bastante numerosa para alimentar correntes
internas, das regiões mais consolidadas para as terras novas, sem depender
totalmente da imigração
- A expansão da Fronteira Agrícola Brasileira
para a região Sul, a partir da década de 50, influenciada pela exploração
demográfica que se registrava no Brasil a partir dos anos 40, e forçou o
governo a criar subsídios para uma agricultura voltada para a produção de
alimentos, o que provocou a ocupação daquela região;
- Na década de 1940, o governo federal criou
duas colônias agrícolas no Centro-Oeste (Ceres/GO e Dourados/MT) e
migrantes do Nordeste e Sudeste afluíram para essa região. Ainda do
Nordeste, migrantes foram em direção à bacia dos rios Araguaia e Tocantins
no então Estado de Goiás;
- A afluência da novas leis de nordestinos à
Amazônia, em especial ao Acre e a Rondônia, durante o segundo ciclo da borracha (1942-1945), quando se tentou reerguer a produção, pois os
seringais asiáticos estavam tomados pelos japoneses, adversários dos
Aliados (URSS, Inglaterra, França e EUA) durante a guerra;
- A década de 1950 foi a vez do grande fluxo
migratório se dirigir, principalmente, para a industrialização de São
Paulo e Rio de Janeiro e para Goiás devido à construção da capital
federal. Destacam-se também as migrações para o Maranhão (babaçu e arroz),
Mato Grosso (garimpo), Rondônia (cassiterita) e Norte do Paraná (café);
- 1960/1970
é destacado o fluxo migratório para o sul do Pará e norte de Goiás
(babaçu), Manaus devido à construção da Zona Franca (1967), norte do
Paraná (café) e Mato Grosso (terras para a agropecuária);
- Entre 1970 e 1991 as unidades da federação
brasileira que mais receberam migrantes foram Rondônia e Roraima. Para
Rondônia devido a projetos de colonização e assentamento promovidos
inicialmente pelo programa do governo militar chamado Polonoroeste
(1970-1980) e organizado pelo INCRA, e para Roraima devido ao garimpo de
ouro e diamante a partir da década de 1970.
·
Após a década de 1950, milhões de nordestinos migraram preferencialmente
para o eixo Rio-São Paulo. Secas prolongadas, alto índice de pobreza e miséria,
falta de emprego e más condições de vida, associados ao grande desenvolvimento
desses estados, eram os principais fatores que motivaram esse fluxo de
migrantes.
·
Em busca de trabalho e melhores condições de vida, essa mão de
obra barata foi absorvida por diversos setores (metalurgia, indústria de peças
e automóveis, construção civil, empregos domésticos) e desempenhou papel
importante no crescimento econômico e na urbanização da região Sudeste.
Essa migração da atual região Nordeste para o Sudeste (inter-regional)
foi acompanhada da migração do campo para a cidade. Foi justamente na década de
1960 que a população urbana superou a população rural no Brasil. As
dificuldades de manutenção da agricultura de subsistência e a concentração
fundiária são alguns dos fatores que explicam a aceleração dos movimentos
populacionais em direção às cidades. Outros aspectos que explicam os fluxos
migratórios do campo para a cidade são a mecanização do campo, o
desenvolvimento urbano-industrial, a maior facilidade de acesso aos serviços
sociais nas cidades e as maiores oportunidades de emprego e de melhoria das
condições de vida nas cidades.
![]() |
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Fluxo migratório do Brasil entre as
décadas de 1960-1980
|
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|
Período
|
Migração líquida
|
Crescimento natural
|
|
1950/1960
|
586.000
|
17.436.000
|
|
1960/1970
|
197.000
|
23.335.000
|
|
1970/1980
|
185.000
|
25.000.00
|
As migrações internacionais recentes no
Brasil têm, como países de destino, essencialmente, os Estados Unidos, Portugal, Espanha,Itália, Inglaterra, França, Canadá, Austrália, Suíça, Alemanha, Polônia, Bélgica, Países Baixos, Japão, Paraguai e Israel, assim, quase num
movimento inverso ao que se deu no século XIX.
Motivos da emigração
A emigração sempre foi um movimento populacional
muito comum na história. Ela ocorre por diversos motivos, sendo que os principais
são: busca de melhores condições de vida, procura de emprego, fuga de uma área
de desastre natural ou existência de guerras. Os emigrantes costumam buscar
regiões com alto índice de urbanização, pois procuram boas condições de vida
(emprego, educação, saúde, etc).
Emigração no Brasil
No Brasil, podemos citar como principal exemplo de
movimento de emigrante o ocorrido nas décadas de 1960 a 1980. Neste caso,
milhões de brasileiros deixaram as regiões rurais, principalmente do Norte de
Nordeste do país, para buscar uma vida melhor nos centros urbanos da região
Sudeste.
os principais países de destino foram Estados Unidos
(23,8%), Portugal (13,4%), Espanha (9,4%), Japão (7,4%), Itália (7,0%) e
Inglaterra (6,2%). Esse grupo de países representa 70% do total. De acordo com
os pesquisadores, "laços históricos" e "redes sociais"
explicariam a preferência por esses países mais distantes em detrimento de
países fronteiriços. Cabe ressaltar que, somados, os primeiros 10 países
europeus na lista (Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha,
Suíça, Irlanda, Bélgica, Holanda) representam 49% do total, mais do que o dobro
da cifra referente aos EUA. Dos 193 países indicados como local de residência dos
brasileiros no exterior, os primeiros 25 concentram 94% do total.
Países vizinhos:
- Guiana Francesa - o principal destino da emigração
proveniente do Amapá;
- Venezuela - recebe a maior parte dos fluxos que partem de
Roraima;
- Bolívia - atrai maior volume de emigrantes do Acre;
Pesquisando migrantes no
Distrito Federal, de 1960 a 1991, foi encontrada uma relação entre movimento
migratório e fecundidade, constatando-se a diminuição do número de filhos
naquelas mulheres.Em 1980, por exemplo, de acordo com a pesquisa, a mulher
nordestina que continuou em seu lugar de origem teve 6,60 filhos, em média,
enquanto a migrante no DF teve 5,66 filhos, no mesmo período. Em 1991, essas taxas
tiveram queda de 5,54 e 4,30 filhos, respectivamente.
Ainda de acordo com o trabalho, as razões para essa baixa na reprodução se constituem nas seguintes: ruptura dos padrões de origem, superação do stress por causa da mudança, a existência de uma fase adaptativa ao novo lugar, além, é claro, da adaptação aos padrões do novo local de moradia, no caso, o DF.
migração também pode, ainda que involuntariamente, influir na qualidade de vida de uma cidade. Pelo menos é o que nos mostra artigo publicado no Estado de São Paulo, do dia 15/03/98, caderno cidade. Título: Caçapava enfrenta efeitos da migração.
Conforme informação do texto, a cidade de Caçapava, no Vale do Paraíba, não registrava índice de miseráveis, até que, em meados dos anos 80, esse quadro começou a mudar, piorando consideravelmente a partir de 1991. Neste período, 20,8% da população tinham renda per capita inferior a meio salário mínimo, sendo que 2,4% sequer possuíam um rendimento mensal e 6,28% recebiam até um quarto do mínimo.
Dois anos depois, ou seja, em 1993, a indigência chegava a 10,1% da população local, composta de 70 mil habitantes. Um recorde na região.
Próxima a grandes pólos de atração de migrantes, como São José dos Campos e Taubaté, boa parte deles acabou procurando em Caçapava um refúgio, o que veio a prejudicar os serviços sociais da cidade, com o aumento dos níveis de pobreza.
.........................................
Temos a migração de pessoas da zona rural para a cidade, chamada de êxodo rural. As pessoas desse grupo buscam melhores oportunidades de trabalho nas cidades, já que no campo as oportunidades estão desaparecendo com a especialização (monocultura) e automação da agricultura, fazendo com que muitos trabalhadores percam seus postos de trabalho. As conseqüências dessa migração são a macrocefalia urbana (crescimento acelerado e geralmente sem planejamento ou com infra-estrutura inadequada) chegando ao nível de favelização dos grandes centros.
-A migração de pessoas de um país para outro também pode trazer conseqüências similares às do exodo rural, acrescidas do desemprego para a população local devido ao baixo custo da mão de obra que migrou para aquela região. Pode ainda ocasionar, indiretamente, o aumento dos índices de violência e discriminação por parte dos que perderam seus postos de trabalho. Essa última também pode ocorrer no caso do êxodo rural.
Ainda de acordo com o trabalho, as razões para essa baixa na reprodução se constituem nas seguintes: ruptura dos padrões de origem, superação do stress por causa da mudança, a existência de uma fase adaptativa ao novo lugar, além, é claro, da adaptação aos padrões do novo local de moradia, no caso, o DF.
migração também pode, ainda que involuntariamente, influir na qualidade de vida de uma cidade. Pelo menos é o que nos mostra artigo publicado no Estado de São Paulo, do dia 15/03/98, caderno cidade. Título: Caçapava enfrenta efeitos da migração.
Conforme informação do texto, a cidade de Caçapava, no Vale do Paraíba, não registrava índice de miseráveis, até que, em meados dos anos 80, esse quadro começou a mudar, piorando consideravelmente a partir de 1991. Neste período, 20,8% da população tinham renda per capita inferior a meio salário mínimo, sendo que 2,4% sequer possuíam um rendimento mensal e 6,28% recebiam até um quarto do mínimo.
Dois anos depois, ou seja, em 1993, a indigência chegava a 10,1% da população local, composta de 70 mil habitantes. Um recorde na região.
Próxima a grandes pólos de atração de migrantes, como São José dos Campos e Taubaté, boa parte deles acabou procurando em Caçapava um refúgio, o que veio a prejudicar os serviços sociais da cidade, com o aumento dos níveis de pobreza.
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Temos a migração de pessoas da zona rural para a cidade, chamada de êxodo rural. As pessoas desse grupo buscam melhores oportunidades de trabalho nas cidades, já que no campo as oportunidades estão desaparecendo com a especialização (monocultura) e automação da agricultura, fazendo com que muitos trabalhadores percam seus postos de trabalho. As conseqüências dessa migração são a macrocefalia urbana (crescimento acelerado e geralmente sem planejamento ou com infra-estrutura inadequada) chegando ao nível de favelização dos grandes centros.
-A migração de pessoas de um país para outro também pode trazer conseqüências similares às do exodo rural, acrescidas do desemprego para a população local devido ao baixo custo da mão de obra que migrou para aquela região. Pode ainda ocasionar, indiretamente, o aumento dos índices de violência e discriminação por parte dos que perderam seus postos de trabalho. Essa última também pode ocorrer no caso do êxodo rural.

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